Black Metal

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Black Metal é uma vertente extrema do heavy metal que surgiu nos anos 80 e que foi evoluindo ao longo dos anos. A música é caracterizada por andamentos rápidos, vocais rasgados, guitarras altamente distorcidas tocadas em tremolo picking, uso de blast beats pela bateria, álbuns com produção lo-fi e estruturas sonoras não-convencionais. É um estilo sombrio, cru e agressivo que incorpora em suas letras temas como satanismo, anticristianismo e paganismo, sendo considerado usualmente o gênero musical mais extremo. Além disso, músicos do gênero costumam usar corpse paint e pseudônimos.

Durante os anos 1980, muitas bandas de thrash e death metal formaram o protótipo do Black Metal. Essa primeira onda do black metal inclui bandas como Venom, Hellhammer, Bathory, Celtic Frost e Mercyful Fate. Uma segunda onda surgiu no início dos anos 90, encabeçada por bandas norueguesas como Mayhem, Darkthrone, Burzum, Gorgoroth, Immortal e Emperor. A cena inicial do black metal norueguês desenvolveu o estilo de seus antecessores tornando-o um gênero distinto. Inspirados pela cena norueguesa, outros grupos surgiram pela Europa e América do Norte, embora alguns outros movimentos tenha criado seu próprio estilo. Algumas bandas proeminentes da Suécia criadas nessa época foram Marduk, Nifelheim e Dark Funeral.

Inicialmente sinônimo para “metal satânico”, o Black Metal é frequentemente recebido com hostilidade pela cultura mainstream, devido a ações e ideologias associadas a ele.[8] Muitos artistas expressam ideias anticristãs e misantropas, defendendo várias formas de satanismo ou paganismo étnico. Na década de 1990, membros da cena foram responsáveis por enxurrada de incêndios a igrejas e assassinatos. Há também um pequeno movimento neonazista dentro do black metal, mas este é rejeitado pela maioria dos músicos do estilo. Em suma, o Black Metal é direcionado para um público restrito de ouvintes e empenha-se para ser inacessível aos não-comprometidos.

Primórdios do Black Metal

A primeira geração do Black Metal refere-se às bandas dos anos 80 que influenciaram a sonoridade e formaram um protótipo para o gênero.

O termo “Black Metal” foi cunhado pela banda inglesa Venom cujo nome foi retirado de seu álbum Black Metal lançado em 1982. Apesar do álbum ser considerado thrash metal pelos padrões modernos, apresentava mais temas e imagens centradas no anticristianismo e no satanismo do que qualquer outro da época. Os membros do Venom costumavam adotar pseudônimos, uma prática que se tornou comum entre vários os músicos do black metal.

Outra banda pioneira do Black Metal foi a sueca Bathory, liderada por Thomas Forsberg (sob o pseudônimo de Quorthon). A banda apresentou este estilo em seus primeiros quatro álbuns, porém no início da década de 1990 tornou-se pioneira do estilo que hoje é conhecido como viking metal. King Diamond e Sarcófago teriam sido os primeiros músicos da cena a utilizarem o “corpse paint”.

Algumas bandas nos anos 70 que fizeram referência ao lado obscuro da vida não são enquadradas neste estilo, porém influenciaram bandas precursoras do gênero. Alguns consideram que as bandas precursoras fizeram parte da primeira onda do Black Metal, sendo alguns dos álbuns mais significativos desta onda: Black Metall – Venom, The Return…… e Under the Sign of the Black Mark – Bathory, Melissa – Mercyful Fate, Apocalyptic Raids – Hellhammer e Morbid Tales – Celtic Frost.

Diversas bandas desta mesma época como Slayer, Possessed e Destruction usaram temas satânicos em suas letras, embora suas sonoridades fossem bem diferentes do Black Metal. Estas bandas ajudaram a forjar a base do que viria a ser o black metal moderno que passou a existir de forma mais sólida a partir da segunda onda de Black Metal.

Início dos anos 90 (segunda geração do Black Metal)

O estilo teve um grande crescimento no início dos anos 90 com a chamada “segunda onda de Black Metal“. O ano de 1991 viu os lançamentos dos primeiros discos dessa leva: Worship Him do Samael; o EP Passage to Arcturo do Rotting Christ e Oath of the Black Blood do Beherit.

Foi depois desses lançamentos que bandas da Noruega como Burzum, Darkthrone, Emperor, Mayhem e Immortal contribuíram para tornar o Black Metal moderno conhecido por todo o mundo. Suas letras falavam de temas pagãos, satânicos, anticristãos e ocultos em geral. Além do aspecto musical, as bandas retomaram o uso das pinturas faciais que passaram a ser chamadas de pinturas de guerra (“warpaint”) ou mais comumente “corpse paint”. Alguns dos álbuns deste período foram:Fuck Me Jesus do Marduk, Det Som Engang Var e Filosofem do Burzum, A Blaze in the Northern Sky do Darkthrone, Pure Holocaust do Immortal, De Mysteriis Dom Sathanas do Mayhem e In the Nightside Eclipse do Emperor.

Na época de 1991 a 1994 ocorreram na Noruega fatos polêmicos ligados ao Black Metal como queima de igrejas, assassinatos e violações de túmulos, que indiretamente contribuíram para a divulgação do gênero pelo mundo. Nesta mesma época começam a ser criados inúmeros subgêneros do Black Metal.

Do final dos anos 90 até hoje (terceira geração do Black Metal)

Durante os últimos anos da década de 1990, o “Black Metal” ganhou maior notoriedade na mídia através de bandas como Dimmu Borgir e Cradle of Filth, que possuíam uma sonoridade já afastada dos padrões do black metal. Estas bandas logo começaram a ser consideradas black metal melódico ou symphonic black metal, pelo uso intensivo de teclados e elementos de música clássica.

Os EUA têm uma pequena quantidade de bandas de Black Metal. O movimento estadunidense de Black Metal é por vezes chamado de USBM. Esse movimento ainda não ganhou uma forma muito clara, mas os grupos mais conhecidos são Absu, Judas Iscariot e Averse Sefira, todos com fortes influências do estilo death metal.

Estas bandas fazem parte da chamada terceira onda de Black Metal, que contempla o Black Metal contemporâneo.

Características

  • Utilização de tons menores visando à criação de atmosferas musicais sombrias, frias, obscuras e melancólicas.
  • Guitarras rápidas usando a técnica de palhetadas em tremolo.
  • Baixos com uso de pedal de distorção.
  • Letras de cunho anticristão ou ligadas ao Paganismo, Satanismo, Mitologia e Ocultismo em geral. Existem ainda bandas em que as letras são ligadas ao Niilismo, Anti-Humanismo, algumas até mesmo à Depressão, Suicídio ou doenças mentais. Vale notar que bandas como Deicide, Immolation e Slayer possuem algumas músicas com letras referentes a alguns desses temas, porém estas bandas são consideradas respectivamente bandas de Death Metal (Deicide e Immolation) e Thrash Metal (Slayer).
  • Bateria rápida e agressiva, geralmente usando a técnica de “blast beats”. A bateria também pode assumir uma sonoridade mais seca e vagarosa de forma a criar diferentes atmosferas para a canção.
  • Os vocais geralmente são guturais e agudos, mas existem muitas bandas que utilizam estilos vocais bastante variados, ainda que sempre “rasgados”.
  • Utilização ocasional de teclados, harpas, violinos, órgãos e coros são relativamente comuns, proporcionando à música uma sonoridade de orquestra. As bandas que se utilizam instrumentos “leves” são consideradas bandas de Symphonic Black Metal.
  • Produção musical limitada e gravação de álbuns com baixa fidelidade. Este expediente é utilizado intencionalmente como uma afirmação contra a canção “mainstream” ou para criar atmosferas diferentes na canção. Este efeito de “sub-produção” é obtido cortando-se as frequências mais altas e as mais baixas, deixando apenas as frequências médias. Poucas bandas pioneiras do estilo ainda se utilizam de tal recurso, pois sua produção musical limitada era causada principalmente por seus baixos orçamentos.
  • Uma característica notória do estilo é a utilização do “corpse paint”, que é uma pintura facial (geralmente em preto e branco) que proporciona à pessoa uma aparência de cadáver em decomposição (corpse, em inglês). A banda Immortal referia-se à sua pintura como uma pintura de guerra com significado diverso do “corpse paint”.
  • Utilização de pseudônimos satânicos/obscuros ou não. Os pseudônimos são herança das tribos guerreiras do passado, onde eram usados pseudônimos com o objetivo de amedrontar os integrantes das tribos inimigas. A utilização de pseudônimos no Black Metal foi iniciada pelo Venom, cuja formação original consistia de Cronos, Mantas e Abaddon. Outros exemplos são: Quorthon (Bathory), Nocturno Culto (Darkthrone), Ihsahn (Emperor), Abbath (Immortal), Euronymous (Mayhem), Nornagest (Enthroned), Shagrath (Dimmu Borgir).
  • É comum a existência de bandas de um só integrante. Esse único integrante toca todos os instrumentos no processo de gravação e, geralmente, não faz apresentações. A banda mais famosa da história do Black Metal nestes moldes é Burzum. Outros grupos nesse estilo são: Xasthur, Ilkim Oulanem e Anguished.

Subgêneros

O Black Metal é conhecido por possuir inúmeros subgêneros, havendo grande rivalidade entre alguns. Os principais sub-gêneros estão listados abaixo:

  • Ambient/Atmospheric Black Metal: Uma fusão de música ambiente com Black Metal, fazendo uso de sintetizadores.
    • Bandas notáveis: Burzum, Summoning, Ildjarn, Nychts, Midnight Odyssey.
  • Blackened Death Metal: Este subgênero se caracteriza basicamente por ter uma sonoridade de death metal e vocais e letras de Black Metal.
    • Bandas notáveis: Behemoth, Belphegor, Sarcófago, Zyklon, Necrófago.
  • Black/Doom Metal (ou Blackened Doom): é uma vertente que mescla a temática e vocal do Black
  • Metal com a lentidão e sonoridade do doom metal.
    • Bandas notáveis: Bethlehem, Forgotten Tomb, Triptykon, Barathrum, Nortt, Katatonia.
  • Black Metal Melódico: Black metal com uso intensivo de riffs de guitarra mais melódicas.
    • Bandas notáveis: Catamenia, Naglfar, Woods of Ypres, Old Man’s Child.
  • Black Metal Nacional Socialista: Tem orientação neo-nazista, tendo como temas ódio, paganismo, ideais nacional-socialistas, racismo e orgulho da nação de origem.
    • Bandas notáveis: Aryan Terrorism, Temnozor.
  • Blackgaze: Fusão do black metal com o shoegaze e o post-rock.
    • Bandas notáveis: Alcest, Altar of Plagues, An Autumn for Crippled Children, Deafheaven, Fen, Heretoir, Lantlôs.
  • Black Metal Sinfônico: Black metal com a adição de elementos de música clássica e de instrumentos orquestrais.
    • Algumas bandas: Emperor, Dimmu Borgir, Limbonic Art, Carach Angren, Anorexia Nervosa.
  • Depressive Suicidal Black Metal: Black metal com temas abordando a depressão, descontentamento para/com a vida, suicídio e misantropia.
    • Bandas notáveis: Xasthur, Lifelover, Thy Light, Nocturnal Depression, Silencer.
  • Viking Metal: Black metal com letras falando sobre vikings, bárbaros, mitologia nórdica e natureza.
    • Algumas bandas: Bathory, Vintersorg, Enslaved, Moonsorrow.
  • Raw Black Metal: É o estilo mais musicalmente cru do heavy metal. Aborda temas como o extremo anticristianismo, rituais satânicos, morte, estupros, nazismo e até mesmo o antissemitismo.

Thrash Metal

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Thrash Metal é um subgênero do Heavy Metal caracterizado por seu ritmo rápido e agressividade. As canções usualmente têm batidas rápidas e riffs de guitarra que regem a música, intercalados com solos ao estilo shred. As letras normalmente tratam de problemas sociais e repudiam o rígido controle do Estado, usando linguagem forte e direta, similarmente ao que acontece no gênero hardcore.

O gênero nasceu no início dos anos 1980, combinando o ritmo veloz da bateria e a atitude do Hardcore Punk com uso de pedal duplo, além de pesados e complexos estilos de guitarra influenciados pela New Wave of British Heavy Metal. Surgiu, parcialmente, como uma reação ao mais convencional e amplamente aceitável glam metal, que era um Heavy Metal mais leve com apelo pop, que emergia na mesma época. O Thrash metal foi uma inspiração para futuros gêneros extremos como Death metal e black metal.

Quatro bandas americanas, Anthrax, Megadeth, Metallica e Slayer, são creditadas como pioneiras e difundidoras do gênero. A turnê Clash of the Titans (1990–1991), que contou com Megadeth, Slayer e Anthrax, é considerada uma momento importante na história do Thrash, já que, após seu fim, viu o estilo entrar em declínio de popularidade no decorrer da década. O Thrash metal ressurgiu nos tempos recentes, com muitas das bandas antigas retornando a suas raízes em seus novos lançamentos. Uma nova geração do Thrash também surgiu em meados dos anos 2000, tendo inspiração lírica e visual dos grupos clássicos.

Características do estilo

  • A bateria usa-se rapidamente e geralmente bumbo duplo como no speed metal, utilizando a técnica do D-beat drum e Skank Beat drum.
  • Os riffs geralmente usam palhetadas em tremolo.
  • Os vocais variam muito de acordo com a banda, desde vocal limpo, rasgado (drive), agudos, roucos e até semi-gutural.
  • As linhas de baixo são bem marcadas e constantes, acompanhando as viradas da bateria.
  • A presença quase obrigatória de solos de guitarra.
  • As letras, muitas vezes, induzem à ideia de “protesto” e de críticas sociais, também podendo falar sobre guerra, destruição e morte.

O Thrash Metal começou a se tornar popular em 1984, com o Slayer lançando o clássico EP Haunting the Chapel, que continha a música “Chemical Warfare”, e os suíços do Celtic Frost que também trouxeram seu EP intitulado Morbid Tales. Estes lançamentos levaram o Thrash metal a uma sonoridade mais sombria e pesada, que se refletiu no lançamento do álbum Bonded by Blood pelo Exodus, do álbum Hell Awaits pelo Slayer e pelo disco To Mega Therion pelo Celtic Frost. em 1985. Em 1985 a banda Megadeth, formada por Dave Mustaine ex-integrante do Metallica, lança seu álbum de estreia intitulado Killing Is My Business… And Business Is Good!. O Megadeth combinava a sonoridade dos riffs de thrash metal com solos mais trabalhados e complexos como os do Judas Priest.

Ainda em 1985, a banda Stormtroopers of Death, com integrantes do Anthrax, Nuclear Assault e M.O.D. lançam o LP “Speak English Or Die”, combinando o Thrash Metal com punk. Sai o segundo disco do Anthrax, Spreading the Disease.

Fora dos EUA, a banda alemã Kreator lança seu álbum de estreia intitulado Endless Pain (1985), o Destruction lança o álbum Infernal Overkill (1985) e o Sodom lança In the Sign of Evil (1984). A banda brasileira Sepultura lança seu EP Bestial Devastation. No Canadá, bandas como Exciter, em 1983 com álbum Heavy Metal Maniac, e Voivod em 1984 com o álbum War and Pain, marcaram presença no nascimento do Thrash, bem como a banda Eudoxis cujos integrantes costumavam se apresentar vestindo armaduras completas com espetos de metal e cujo bumbo da bateria era de aço inoxidável e possuía 1,8 metros de comprimento que lança em 1985 a demo Metal Fix.

O ano de 1986 foi um marco para o Thrash Metal, com alguns dos álbuns mais influentes do estilo sendo lançados. A banda Dark Angel lançou o Darkness Descends, que foi pouco reconhecido na época, mas é considerado um dos mais pesados e rápidos álbuns de Thrash Metal. Neste mesmo ano foram lançados os álbuns que estabeleceram novos limites para a brutalidade musical e que seriam algumas das principais influências para o estilo musical Death Metal, estes álbuns foram o Reign in Blood, do Slayer que é universalmente reconhecido como um clássico do estilo e o Pleasure to Kill da banda Kreator. O Megadeth lança o álbum Peace Sells… But Who’s Buying?, o Metallica lança o Master of Puppets, e o Nuclear Assault lança seu primeiro álbum, intitulado Game Over. A banda Hobbs Angel of Death surge na Austrália, tocando um tipo de thrash metal calcado nos moldes dos primeiros álbuns do Slayer, porém focado no mercado europeu. No Brasil, a banda Ratos de Porão lançava o seu álbum Descanse Em Paz, misturando o punk rock com o Thrash Metal, consolidando esse estilo com o álbum Brasil de 1989.

Em 1987 o Anthrax lança o famoso álbum Among the Living. Enquanto que os álbuns anteriores da banda foram considerados como estereótipos da NWOBHM, este lançamento colocou a banda no terreno do thrash metal com guitarras rápidas e pesadas e um bom trabalho na bateria. A sonoridade do Anthrax sempre foi considerada mais melódica que a de outras bandas de thrash metal, talvez isto se deva em parte devido à sua grande influência do punk rock. Neste mesmo ano a banda de hardcore D.R.I., lança seu álbum Crossover, mesclando o hardcore com thrash metal.

Em torno de 1988 o gênero estava ficando saturado com muitas bandas novas, mas alguns álbuns clássicos ainda seriam lançados. O terceiro álbum do Sepultura, Beneath the Remains de 1989, lançado pela Roadrunner Records revelou a banda no cenário mundial. O Vio-lence, uma banda tardia da cena da Bay Area, lançou seu álbum de estreia intitulado Eternal Nightmare (1988), combinando riffs rápidos com um vocal influenciado diretamente pelo hardcore punk. Neste mesmo ano foi lançado pelo Metallica, o álbum …And Justice for All no qual a banda lança seu primeiro videoclipe com a música “One”. Em 1990 o Megadeth lança o álbum Rust in Peace, considerado pela crítica como o melhor álbum da banda e um dos últimos álbuns clássicos do thrash metal, juntamente com Cowboys From Hell da banda Pantera, e Seasons In The Abyss do Slayer.

Outras influências

Em meados dos anos 80 o thrash metal influenciou diretamente muitas bandas que seguiriam outros gêneros do Metal, o Death, o Possessed e o Hellhammer (que mais tarde se tornaria o Celtic Frost), são alguns exemplos disso. O Possessed foi uma das primeiras bandas de Death Metal, lançando uma demo em 1984 com um Thrash Metal de sonoridade mais obscura. Esta sonoridade evoluiria para o que hoje chamamos Death Metal. Um dos melhores exemplos deste gênero é o clássico álbum da banda intitulado Seven Churches, de 1985. O álbum Energetic Disassembly (1985) da banda Watchtower quebrou barreiras em termos de técnica e influências de jazz na composição das músicas. Este tipo de trabalho continuou com bandas de Thrash Metal como Coroner e também com algumas bandas de Death Metal como Atheist e Cynic, bem como os futuros álbuns do Death. Algumas bandas combinavam o Speed Metal com o Thrash Metal, como por exemplo o Megadeth, e também as bandas Helstar, Testament, e Heathen, que ficaram conhecidas por seus complexos solos de guitarra.

Subgêneros

  • Crossover Thrash: Este subgênero se caracteriza por uma influência muito grande do punk rock e do hardcore.
    Algumas bandas: D.R.I., Adrenicide, S.O.D., Suicidal Tendencies, Ratos de Porão.
  • Groove Metal: Este subgênero se caracteriza por ser um pouco mais lento que o thrash metal tradicional, por utilizar instrumentos com afinação mais grave, aparição frequente de sampler e/ou sintetizadores.
    Algumas bandas: Sepultura, Pantera, Machine Head, Fear Factory, Prong, Lamb of God e Exhorder.
  • Blackened Thrash Metal: Este subgênero se caracteriza por um som mais cru e seco, próximo ao black metal, com vocais rasgados e letras obscuras.

Pós-Punk

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O termo Pós-punk ou Post-punk, em música, refere-se a um estilo musical surgido na Inglaterra após o auge do punk rock em 1977. O estilo mantém suas raízes no punk rock, mas é mais introvertido, complexo e experimental . O Pós-Punk lançou as bases para o rock alternativo, ampliando a estética sonora do punk rock, incorporando elementos do synthpop (particularmente o uso de sintetizadores e a extensa repetição), música Dub jamaicana (especificamente técnicas de baixo), funk americano e experimentações de estúdio.

Contexto Cultural

O punk alcançou seu auge em 1977, quando se tornou um fenômeno cultural de grandes proporções com centenas de entusiastas e dezenas de novas bandas de punk rock. Com o sucesso e divulgação, muitas de suas características originais — a irreverência, desprezo pela sociedade e a valorização da revolução pessoal — se tornaram irrelevantes para a maioria dos novos adeptos. Dois fatores principais para este fenômeno foram o interesse comercial da indústria cultural e a crescente influência da postura ‘festeira’ do punk norte-americano (em contraposição ao niilismo e inclinação destrutiva do punk inglês). De um lado, este desprezo pelos valores contra-culturais do punk permitiu que a música comercial se misturasse livremente com as novas características trazidas pelo punk, dando origem a bandas de punk rock que não eram necessariamente formadas por punks, do outro lado, os mais interessados em manter o punk como algo alternativo estabeleciam dogmas de conduta e estilo que limitavam severamente a criatividade. Neste período centenas de novas bandas surgiram representando em diferentes graduações estes dois extremos.

Apesar deste momento de agitação cultural ter sido inicialmente chamado de new wave (“nova onda”), é mais adequado atribuir este nome para as bandas da época com inclinações comerciais e influenciadas pela cultura pop e o nome Pós-punk para o lado mais alternativo e experimental. Em pouco tempo ambos se transformaram em característicos estilos musicais, por isso é comum atualmente referir a estes nomes como estilo ao invés de manifestação cultural. Pode-se considerar de forma geral o New Wave como a evolução acessível (mainstream) do Punk e o Pós-punk como o caráter alternativo das novas bandas (não uma mera negação do punk, como pode ser erroneamente sugerido).

Paralelo a estes dois fenômenos existiu também uma tentativa de isolamento e reconstrução do espírito originalmente contra-cultural punk. A partir dela a segunda geração punk se consolidou no começo dos anos 80 — nos Estados Unidos com a cena Hardcore, e na Inglaterra inicialmente com o street-punk, que se fundiria pouco tempo depois com os costumes skinheads e seria transformado no popular Oi!.

Góticos (estilo de vida)

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A subcultura gótica (chamada também de Darkwave no início dos anos oitenta, apenas no Brasil) é uma tribo urbana que teve início no Reino Unido durante o final da década de 1970 e início da década de 1980, derivado também do gênero pós-punk, que é um sinónimo para a música gótica. A subcultura gótica está também associada diretamente à música gótica, pós-punk, darkwave e ethereal wave, à estética (visual, moda e vestuário), onde encontramos vários estilos e visuais como: vitoriano, fetiche, deathrock, gótico lolita, etc. Na subcultura gótica encontramos também a literatura (poesia), o cinema, entre outras formas de manifestações artísticas e culturais.

A subcultura foi influenciada por várias correntes artísticas, como o Expressionismo, o Decadentismo, a Cultura de Cabaré e Beatnik. Seus adeptos foram primeiramente chamados de Darks no Brasil, e curtiam bandas como Joy Division, Bauhaus, The Sisters of Mercy, entre tantas outras. O uso do termo ‘gótico’, como música, subcultura e estilo de vida, surgiu no início da década de 80. A mídia de massa ao entrevistar integrantes das diversas bandas relacionadas ao Pós Punk com temáticas e atmosferas obscuras em suas músicas, por vezes recebia respostas semelhantes a: ”de temática sombria e soturna, gótica”. Na metade da década de 80 o estilo já havia se disseminado por vários outros países (incluindo o Brasil e Portugal) e o termo acabou por ir junto com ele e até hoje é usado para denominar a cultura.

Origens do termo gótico

Ao longo da história, o termo Gótico foi usado como adjetivo ou classificação de diversas manifestações artísticas, estéticas e comportamentais. Dessa maneira, podemos ter uma noção da diversidade de significados que esta palavra traz em si.

Originalmente, Gótico deriva-se de Godos, povo germânico considerado bárbaro que diluiu-se aproximadamente no ano 700 d.C.. Como metáfora, o termo foi usado pela primeira vez no início da Renascença, para designar pejorativamente a tendência arquitetônica, criada pela Igreja Católica, da baixa Idade Média e, por consequência, toda produção artística deste período. Assim, a arquitetura foi classificada como gótica, referindo-se ao seu estilo “bárbaro”, se comparado às tendências românicas da época.

No século XVIII, como reação ao Iluminismo, surge o Romantismo que idealiza uma Idade Média, que na verdade nunca existiu. Nesse período o termo Gótico passa a designar uma parcela da literatura romântica. Como a Idade Média também é conhecida como “Idade das Trevas”, o termo é aplicado como sinônimo de medieval, sombrio, macabro e por vezes, sobrenatural. Romance ou literatura gótica são utilizadas para designar este subgênero romântico, que trazia enredos sobrenaturais ambientados em cenários sombrios como castelos em ruínas e cemitérios. Assim, o termo Goticismo de origem inglesa, é associado ao conjunto de obras da literatura gótica. Posteriormente, influenciado pela literatura gótica, surge o ultrarromantismo, um subgênero do romantismo que tem o tédio, a morbidez e o dramatismo como algumas características mais significativas.

Surgimento e Influências de outras Subculturas

As verdadeiras raízes da subcultura gótica podem ser achadas inicialmente nos anos 40\50 na cultura beat.

Os beats eram pessoas com gosto pelo que outrora fora conhecido como cabaré (na época dos grandes artistas e pensadores franceses), ou seja, ambientes boêmios, onde conversavam, bebiam, fumavam, apreciavam saraus e ouviam música (jazz underground e posteriormente rock). Tudo excessivamente. Tanto que os óculos escuros foram adotados ao estereótipo Beat, junto com as roupas predominantemente escuras e boina preta, por causa da fumaça.

Os cabelos eram compridos (porém mais curtos que os dos Hippies) eram comuns um tipo de cavanhaque bem aparado em linha ao longo do queixo. Nos Estados Unidos o movimento se tornou menos “intelectualizado”, e mais junkie e desleixado. O primeiro uso do termo “Beat” ou “Beat generation” teria sido feito por Jack Kerouac no final dos anos 1940. Mas o termo só se popularizaria nos anos 50.

Passou também a ser um movimento pop e “comercializável” de 57 a 61. Mas suas origens remontam ao underground dos cafés parisienses do pós-guerra. Daí vem o termo “estudante de arte existencialista e parisiense” para a postura Beat.

O Termo “Beatnik” foi cunhado pela imprensa, misturando Beat a Sputnik (primeiro satélite russo no espaço sideral). Os Beatniks nos anos 60 eram mais apolíticos ( e/ou pacifistas ), existencialistas, estilosos, e sua poesia e música contemplava tanto o lado obscuro quanto hedonista e urbano da boemia.

Porém o que era um movimento underground acabou em decadência com sua comercialização. Da diluição desse movimento surgiram talvez outros dois, o hippie e o punk beat ou glam punk.

Os Hippies formaram movimento politizado, expressivo (not cool), de visual colorido e cabelos muito longos. A parte do Beat que permaneceu no Hippie foi a religiosidade alternativa, muitas vezes orientalista, o “alternativismo”, e alguns estilos musicais. Uma parte dos Beats, claro, não se tornou Hippie, por discordar de suas tendências, e seguiu outros caminhos.

Logo, surge esse outro lado da ramificação temos a explosão do Glam e Glam punk. Com temáticas e abordagens mais profundas, líricas e adultas. Podemos então citar o Velvet Underground em Nova Iorque, os Stooges em Detroit e o The Doors em Los Angeles. O Velvet Underground glamouriza o decadentismo urbano, sem esperanças e floreios, para cena pop. Em 1970, surge em Nova Iorque o grupo New York Dolls com um rock cru e simples, em performances bombásticas travestidos de mulheres. “Ora, se as mulheres conquistaram o direito de se vestirem como homens, por que nós ão?”

A temática chamou a atenção de David Bowie que a levou para o outro lado do atlântico. Junto a Marc Bolan do T-Rex, e o Roxy Music de Brian Eno e Bryan Ferry, Bowie se tornou referência mundial do Glam rock.

A abordagem do Glam Rock era basicamente o esteticismo e dandismo de Oscar Wilde e Baudelaire atualizado para os anos 70. A decadência do homem e da sociedade urbana e suas perversões hedonistas, a artificialidade, o pré-moldado, o poserismo, enfim decadence avec elegance (decadência com elegância). A temática do Glam trazia através de músicas brilhantes (tanto em letra como melodia) a melancolia da condição humana e de temas soturnos.

Mesmo esteticamente o Glam preservava um lado noir (sombrio). Algumas bandas como Bauhaus e Specimen, que deram origem a música gótica, não se diferenciam em quase nada das bandas incluídas no glam rock quanto à sua sonoridade.

A atitude do Glam de androginia era mais do que Rockers durões, Mods (uma variante dos beats cuja diluição daria origem aos skinheads do lado mais durão) e os Hippies conservadores estavam preparados. Era uma inversão. Naquela época nem se via mais o que fazer em termos de psicodelia, foi quando o Glam chegou e virou a cabeça de adolescentes que queriam também se vestir iguais aos seus ídolos. E a influência beat permanecia viva através do Glam.

Tanto nos Estados Unidos como na Inglaterra, conceitos e estéticas Beats permaneceram ao longo do Glam e dos anos 70. O rótulo “Punk” foi dado ao movimento rock que tinha, em resposta ao rock progressivo, músicas simples em execução, mas com temas sociais importantes. Bandas experimentais, contra a música comercial das grandes gravadoras, uma geração crítica em relação à arte e consumo de sua época, interessada em questões existenciais foram consideradas Punks antes de 77. Exemplos: Talking Heads e o Patti Smith Group.

Mas em 78 o termo caía em decadência e já era considerado um clichê gasto e distorcido pelo sucesso de 77. O diretor da gravadora Sire Records, Seymour Stein, considerou que estas bandas tinham o mesmo sentimento dos filmes do movimento cinematográfica francês de características Noir (obscura) e contra-culturais chamado “Nouvelle Vague” (New Wave, em Inglês, Neue Welle, em alemão).

Assim, New wave e Pós-punk (Póstumo ao punk) seriam os termos usados para classificar estas bandas originalmente chamadas de punk antes que o termo “punk” atingisse o fim de seu auge. Simultaneamente algumas destas bandas são afiliadas a sub-cultura gótica. Com o tempo, o termo New Wave passou a ser utilizado para as bandas mais pops e Pós-Punk, para as mais underground.

Neste período, bandas da sub-cultura gótica eram classificadas de ambas as formas. Mas posteriormente deixou-se o new wave para bandas com um visual mais colorido e para as bandas que adotaram um tendência mais sombrias acabou-se por usar o termo pejorativo gótico, que entrou na moda.

Toda a Estética Gótica inicial vai ser uma mistura de Glam (androginia, poesia urbana e maldita, maquiagens pesadas, sonoridade rock básica, dandismo, etc), que também foram reforçados por uma influência do movimento new romantic dos anos 80, e a cultura Beat (poesia urbana e maldita, existencialismo e espiritualidade difusa, roupas escuras, acid rock, cool, jazz-rock, psicodelia, etc), ora tendo uma sonoridade mais pós punk, outra mais new wave. O termo foi usado durante a década de oitenta e na década de noventa também convencionou-se tirar o new e usar dark, desta forma: Darkwave.

Góticos (estilo de vida) II

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Anos 90 e Atualmente

Nos meados da década de 90, viu-se emergir uma corrente cultural caracterizada por alguns elementos comportamentais comuns ao romantismo do século XVIII, como a melancolia e o obscurantismo, por exemplo. Na ausência de uma classificação mais precisa, esta corrente foi denominada Cultura Obscura. Porém, de forma ampla e talvez até equivocada, o termo Goticismo também é usado para denominá-la.

Há algumas semelhanças entre Cultura Obscura e Subcultura Gótica. Mas há também diferenças essenciais que as tornam distintas. Por exemplo, a Cultura Obscura caracteriza-se por valores individuais e não possui raízes históricas concretas como a subcultura gótica.

Entre os apreciadores da Cultura Obscura, é possível determinar alguns itens comuns, como a valorização e contemplação das diversas manifestações artísticas. Além de uma perspetiva poética e subjetiva sobre a própria existência; uma visão positiva sobre solidão, melancolia e tristeza; introspeção, medievalismo, entre outros. Sintetizar em palavras um universo de questões filosóficas, espirituais e ideológicas que agem na razão humana, traz definições frágeis e incompletas de sua essência. Obscuro, Sombrio ou Gótico podem ser adjetivos de diversos contextos e conotações. Mas é, principalmente, o espelho que reflete uma personalidade.

Atualmente, a subcultura gótica permanece em atividade e em constante renovação cultural, que não se baseia apenas na música e no comportamento, mas em inúmeras outras expressões artísticas.

Estética

A estética como um visual, uma vez que, gostando de determinados sub-gêneros musicais, estética, corrente literária, arte, convivência com pessoas que sentem-se atraídas e gostam do que é aceito no Gótico, ou tudo o que esteja ligado ao mesmo, torna-se quase o suficiente para que entendam seu “mecanismo”. Embora, visual seja uma identidade individual (ou coletiva) de considerável importância que diferencie e caracterize em qual época e à qual sub-cultura um indivíduo pertence.

A cor preta como tonalidade predominante acompanhada a uma postura tida como juvenil, é geralmente um arquétipo do mainstream. Sendo esta, uma limitação dos conceitos superficiais direcionados à massa no que diz respeito à sub-culturas urbanas derivadas do que chamam de “Rock”. A cor preta, como representação estética, geralmente é acompanhada de uma, ou mais cores adicionadas de forma peculiar para compor os visuais dentro dos esteriótipos variantes do Gótico, ou seja, não sendo esta predominante, embora ainda sim, presente. Como simbolismo, a semântica pode variar de indivíduo para indivíduo, ou estar praticamente ausente, permanecendo como apenas questão de estética. A presença de adultos na sub-cultura especialmente a norte-americana e europeia é em grande escala, o que modifica os conceitos sobre a sub-cultura tratar-se de algo juvenil, visto que ainda preza-se pela censura conforme o que diz respeito às leis e normas básicas de todo e qualquer evento, festival e concerto.

Religião e Simbolismo

A subcultura Gótico/Darkwave é uma subcultura laica, ou seja, é neutra à qualquer religião. É comum pessoas de fora da subcultura pensarem que os góticos estão diretamente ligados à esoterismo, anticristianismo e paganismo, sendo tal afirmação uma ideia equivocada. Isso quer dizer que cada indivíduo da subcultura Gótica é livre para seguir a religião que melhor lhes forem conveniente, seja ela teísta ou mesmo não seguindo nenhuma religião.

Os tidos wannabes – Uma gíria entre pessoas da sub-cultura gótica, que em sua semântica refere-se a um determinado sujeito novo, curioso e, mais diretamente, que “quer ‘ser'” parte da mesma – Geralmente seguem à risca presunçosa e equivocada em denominarem aos outros pertencentes a ela apenas como Wiccas, Pagãos ou satânicos, sendo estes, como mencionado inicialmente, livres de qualquer doutrina ou Sociedade Secreta.

Algum recurso de preâmbulo religioso é utilizado como temática, para músicas ou estética. Um crucifixo, por exemplo, pode, teatralmente, simbolizar a tortura (Crucio = tortura), pois a cruz foi cunhada em Roma, como instrumento para tal, antes mesmo do nascimento de Cristo. O ankh também é muito usado pelos góticos como símbolo da eternidade.

Simbolicamente no sentido de estética não vem totalmente ligado à música, as vestes góticas vieram de acordo com a ideologia a que ele pertence.