Gothic Rock

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Gothic Rock é um Subgênero do Pós-Punk e Rock Alternativo que surgiu durante a década de 1970. Bandas de Gothic Rock cresceram a partir dos fortes laços que tinham com o Punk Rock inglês e cenas emergentes do Pós-Punk. De acordo com ambos, Pitchfork e NME, grupos proto-góticos incluem Joy Division, Siouxsie and the Banshees, Bauhaus, e The Cure.

O gênero definiu a si próprio como um movimento separado do Pós-Punk devido à sua música mais sombria acompanhada de letras introspectivas e românticas. O Gothic Rock deu origem a uma subcultura mais ampla que inclui clubes, moda e publicações na década de 1980.

“A atmosfera é realmente maléfica, mas você se sente à vontade dentro dela”. Ao fazer um comentário sobre o lendário filme Nosferatu, Bernard Sumner, integrante das bandas Joy Division e New Order, gerou a definição que muitos consideram a mais concisa do assunto.

Os anos 80 ficaram conhecidos como a “Década Perdida” na América Latina, devido a estagnação econômica vivida pela região durante a época. Crises econômicas, volatilidade de mercados, problemas de solvência externa e baixo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). No Brasil ocorria o fim do chamado “Milagre Econômico”, dada a época de excepcional crescimento econômico ocorrido durante a ditadura militar. No resto do mundo representou o fim da “Idade industrial” e início da “Idade da Informação”.

Talvez por isso um momento bem propício para o surgimento do gênero musical em questão e seus parentes próximos mais eletronicamente dispostos, (Metal Industrial, EBM, Synthpop e etc.) já que a Disco Music (que já havia enfraquecido), a House Music e a maioria dos outros tipos de música eletrônica se apoiavam em diversão apenas, tratando qualquer assunto sério com subjetividade (o amor é sempre mais bem visto para tema nesses moldes) e concebendo experimentalismo dançante para festas e clubes. Mas partindo desse princípio podemos achar raízes para a “Darkwave” sim, de algum modo. Com o surgimento da MTV muitos artistas ligados ao “Gothic Rock” tiveram vários clipes veiculados, o que ajudava na divulgação de seu trabalho. David Bowie, influenciado pela Disco Music, lançou o álbum Let´s Dance. Voltou ao loiro, usava topete e ternos coloridos; Que também eram uma característica dos “New Romantics”.

O movimento New Romantic, conhecido também como “Romo”, era um estilo musical e de moda surgido nos anos 80 na Inglaterra. Posterior ao estilo New Wave (fim dos anos 70), estilo este que acabou se dividindo entre New Romantic, Gothic Rock e movimentos Post-Punk. Da influência de Bowie ainda se pode dizer muito, tanto em música como em outros aspectos da subcultura. É muito provável que góticos usem Ankhs só por causa dele. No filme “Fome de Viver”, Bowie interpreta um vampiro e usa um exemplar afiadíssimo para ferir a jugular de sua vitimas já que não tinha dentes afiados. Essa imagem também ficou marcada pelo fundo musical de quando ele saí à caça de uma presa com sua companheira ao som de “Bela Lugosi´s Dead”, da banda Bauhaus.

Já na década de 1950 algumas bandas assumiam um tom macabro de encenação com o rock n’ roll, inspirados nos filmes de horror da época e os clássicos de outras épocas – o que mais tarde seria utilizado por bandas de Death Rock e Psychobilly. A diferença para o Gothic Rock é que a influência vem mais de filmes expressionistas que tinham uma preocupação com a ambientação, o pavor, a atmosfera sufocante. E os filmes genéricos feitos a partir de clássicos (como A filha de Drácula, Jovem Frankenstein, O retorno de Drácula etc.), exibidos em drive-ins, e os filmes B é que estão presentes na cena Death. A relação entre as duas coisas é óbvia, esses filmes tinham um caráter irônico, não eram apenas sustos, acabavam por serem divertidos, engraçados mesmo. E o grande forte do death rock é a sua ironia, o humor negro. A estrutura musical dos anos cinqüenta também foi aproveitada.

Nos anos 60 se iniciou uma fase de criação incrivelmente psicodélica no rock, talvez graças ao bem sucedido, disco dos Beatles. O Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band era altamente colorido e experimental, onde foram usadas técnicas que nem eram imaginadas na época para fazerem uma banda de quatro pessoas soar como uma orquestra inteira, instrumentos e sons diferentes, e as faixas foram emendadas umas nas outras. De outro lado bandas como os Rolling Stones mergulhavam em uma atmosfera mais requintada de diabolismo e decadência humana. Their Satanic Majesty’s Request, dos Stones, tinha uma abordagem sombria e perturbadora; um exemplo é a música Paint it Black do grupo, que possui vários covers de bandas da subcultura gótica, um clássico melancólico onde Mick Jagger canta querer pintar tudo de preto e vê seu mundo se rendendo a essa cor. Poucas outras bandas da época escaparam da chuva de flores, paz e amor que os hippies evocavam sobre os anos 60, as que conseguiram fizeram de sua missão perturbar a mente de quem quisesse ouvir. Os Stones teriam que competir pelo título de majestade satã se o quisessem só para eles; na metade da década surge o Velvet Underground. Graças ao empurrão de Andy Warhol, rei da pop art, a banda se tornou um grande sucesso.

Embora Andy tenha achado que seria uma boa ideia inserir a modelo Nico na banda ela realmente não se integrou muito. O primeiro disco recebeu o nome de Velvet Underground and Nico (cuja famosa capa desenhada por Andy, era uma (banana), e após ele a modelo abandonou o grupo e migrou para uma carreira solo, com músicas igualmente melancólicas e sinistras. Andy Warhol acabou também por perder o interesse pela banda, mas a evocação de violência, vicio em sexo e drogas e todo tipo de perdição tinha que continuar, outros membros da banda já assumiam os vocais, mas Lou Reed acabou por tomar a frente. Em 1970 quando deixou a banda para seguir carreira solo ela se deu por extinta. Também o The Doors teve influência na música gótica; Jim Morrison se proclamou o “Rei Lagarto” dizendo que podia fazer o que queria, inclusive era muito cogitada o fato de tocar o que não se pudesse onde diziam que não se devia tocar. Ray Manzarek convenceu seu tímido amigo Jim que suas poesias dariam belas canções, enquanto ele tocava teclados, Robby Krieger guitarra, John Densmorebateria, e Jim ficou nos vocais. Jim Morrison demorou a se soltar, mas a bebida e as luzes da ribalta o fizeram, e em pouco tempo lá estava ele sendo expulso do Whisky a Go Go por tocarem The End, música cuja letra diz “Quero estuprar minha mãe e matar meu pai”. Mais tarde, já famosos, participavam ao vivo do Ed Sullivan Show, onde eram vetados em uma parte de Light my Fire; sugeriram que ele não dissesse “menina não poderíamos estar mais chapados”, se ao invés poderiam dizer “estar melhores”. Mas Morrison não deixou por menos: cantou a letra como era. Sempre no mesmo caminhos em que os hippies espalhavam flores muitas outras bandas trilharam morte, desespero e polemica até os anos 70.

Embora originalmente considerado um rótulo para um número pequeno de bandas de Rock/Pós-Punk, o Gothic Rock possui, hoje, um espectro bem maior – abrangendo em si o Death Rock, a Música Industrial e até algumas bandas da New Wave, por exemplo. Enquanto a maioria das bandas punk focava um estilo agressivo, as primeiras bandas góticas eram mais pessoais e introvertidas, com elementos de movimentos literários como horror gótico, romantismo e niilismo. As primeiras bandas consideradas góticas foram: Joy Division, Siouxsie and the Banshees, The Cure, Bauhaus, etc. Embora, como já foi dito, nem todas aceitem de bom grado o termo.

O Bauhaus é considerada a banda pioneira do estilo. Surgiram em meados de 78. Bela Lugosi is Dead é um épico com nove minutos de duração, seu single foi lançado pelo selo independente Small Wonder. Bela Lugosi foi um ator que ficou marcado pela interpretação do clássico Drácula, de Bram Stoker. Apesar de não ter sido exatamente um sucesso de vendas, a música definiu tudo aquilo que seria o Gothic Rock (guitarras fálicas distantes do resto dos instrumentos e um vocal que se mistura a todo o resto como que solto no espaço), e se manteve nas paradas independentes da Inglaterra por anos e anos.

Como já foi dito, a ausência de cores e o inconformismo vinham da desconfiança no futuro, graças ao período nuclear da guerra fria, da cortina de ferro, e de crise econômica. Como se pode ver realmente, uma situação propicia para obscuridade e não para louros! A voz e os trejeitos de Peter Murphy, onde se via um comportamento meio glam (influências diretas dos primeiros álbuns solo de Iggy Pop, produzidos por seu amigo David Bowie) é uma presença forte e contribuiu para o culto da banda. O primeiro álbum do Bauhaus foi In the Flat Field, mas o segundo, de 81, Mask, revelou uma maior ambição musical dos pais do Gothic Rock. Os elementos eletrônicos, metais, misturados à já conhecida fórmula dark gerou um álbum considerado por alguns como ainda melhor que seu predecessor, e que teria dado origem ao que alguns chamam de darkwave. Entre as bandas mais conhecidas, até pelos não aprofundados no cerne gótico, além de Bauhaus, estejam ainda The Cure e Joy Division.

Robert Smith liderou a banda, inicialmente chamada The Easy Cure, e permaneceu nela desde sempre. Seu estilo é algo um tanto indefinível, mas como já foi citado, nem todas as bandas góticas se definem assim. Pós punk era uma definição bem usada – por surgir depois do auge do Punk Rock. Na verdade o Cure teve várias fases. O primeiro álbum Three Imaginary Boys, de 1979, teve uma turnê de promoção que os levou a serem convidados para serem a banda de suporte para a banda Siouxsie And The Banshees, banda também bastante conhecida na cena punk e pós punk, com o vocal feminino de Siouxsie Sioux. Robert Smith fora o guitarrista da banda durante sua fase punk; poucas bandas conseguiram fazer uma transição de fases tão bem quanto os Banshees, saindo do punk e se tornando um exponencial gótico. Boys Don’t Cry, quando foi lançado em 1980, não obteve o sucesso esperado; só em 1986 tornou-se um hino da banda. Músicas como Friday I´m in Love e A Letter to Elise, foram outros de seus grandes sucessos, já nos anos 90. A música dos The Cure tem sido categorizada como Gothic Rock, subgênero do Rock Alternativo, como uma das principais bandas, no entanto, Robert Smith disse em 2006 que, “é patético quando o gótico ainda se cola ao nome The Cure”, considerando o sub-gênero “incrivelmente estúpido e monótono. Verdadeiramente lastimoso”.

Outros estilos incorporados à cena

Gothic Rock/Darkwave é com certeza a música e um dos elementos que mais caracteriza a cena gótica. Mas com a sua evolução outros estilos musicais foram se integrando mais à subcultura e se fundindo mais a ele, que embora possam às vezes ser abordados de maneira distinta já parecem também coisas inseparáveis uma das outras.

Quando exportado para os americanos o Gothic Rock chegou da Inglaterra para se tornar o Death Rock. Na Inglaterra a Batcave, club centro da disseminação desse estilo, abrigava noites regadas ao som de bandas como o Specimen e o Bauhaus. Nos Estados Unidos o estilo também ganhou várias casas e uma contraparte típica, o Christian Death. Talvez por isso os dois estilos sejam tão inseparáveis e se diz que são irmãos que se detestam, mas se amam no fim das contas. Mas as bandas como essas podiam se encaixar perfeitamente no rótulo gótico. Enquanto que o death rock, como é conhecido hoje, é povoado de zumbis, humor negro, carnificina, ferimentos, necrofilia e todo tipo de brincadeira com a morte, inspirado em filme de terror de orçamento baixo. Exemplos de bandas são: Misfits (também ligados ao punk rock), Samhain, 45 Grave, Zombina and The Skeletones, Cinema Strange.

Um advento que tomou a cena alternativa de 1990 era chamado Industrial, esse tipo de música já havia sido muito bem vindo pelo gótico no fim dos anos 80, a paixão pelo sombrio novamente fez a união. Os góticos, como se sabe, podem olhar para o passado com uma nostalgia irônica, (pois a era vitoriana é transformada em um ambiente muito propício e aconchegante para isso, mas como se sabe, as coisas não são bem assim) já o industrial olha para o futuro com um pessimismo baseado no presente. O industrial legitimo era um acontecimento musical que já havia acontecido vinte anos antes mais ou menos. Eram trabalhos que colocavam em questão até que ponto existiria musicalidade, na arte de fazer barulho.

Os artistas desse movimento podiam usar qualquer coisa que fosse ruidosa, alterada e misturada eletronicamente de forma dessincronizada para parecer com nada que fosse entretenimento à cultura popular. Podem ser citados aqui os experimentalistas eletrônicos do Cabaret Voltaire, a cozinha destruidora de Monte Cazazza e os concertos que mais pareciam um ataque à queima roupa do Throbbing Glistle. Dessa forma a música underground dançante feita para animar clubs de meados de 90 recebeu o rótulo de Industrial também, “ A única coisa que temos em comum é o fato haver barulho na minha música e também haver barulho na deles”, diz o vocalista do Nine Inch Nails (banda que propagou o gênero), Trent Reznor.

O gótico preza o Feminino, ou o Andrógino, a Beleza, o Poético, o Teatral, etc. e a música eletrônica industrial é agressiva, masculina, raivosa, barulhenta, informatizada, cientifica e etc. e tal. Logo se percebe uma união onde os opostos se completam então. Dessa mistura surgiram os Cybergoths e Rrivetheads, ambas as subculturas são centradas em música eletrônica mas também são associadas a música gótica que de forma pura é um tipo de rock.

Desambiguação: Gothic Rock/Metal

Discutir o que vem a ser ou não Gótico, em termos musicais, é uma das principais discussões dentro dessa subcultura. Alguns artistas acabam desacreditados por tomarem uma postura que às vezes lhes faz serem vistos como meras armações da mídia, o principal fator é a saída do underground, são poucos os que conseguem se postar confortavelmente entre o sucesso de vendagens e a isenção de traição. Mas no que diz respeito ao Heavy metal, Gavin Badelley, em seu livro “Gothic Chic”, comenta que muitos góticos acham que trata-se da antítese grosseira, ignorante, machista e pretensiosa de tudo o que eles prezam através da música. No entanto, outros admitem ser a banda Black Sabbath de grande importância para o estilo, por não somente ser uma das pioneiras do metal (juntamente com Led Zeppelin e Deep Purple) mas também a primeira a incluir o lirismo gótico na música contemporânea, o que influenciou e ainda influencia diversas bandas da categoria. Seu primeiro álbum, intitulado com o nome da banda, traz a descrição de um rito satânico pontuado por efeitos tempestuosos e dobrar de sinos, a capa ainda atrás uma garota pálida vestida de preto em um terreno doentiamente ocre.

Muitos góticos apreciam o som baseado em raízes agressivas, mas concentrado em um ambiente árido e sombrio assemelhado ao de Dark ambient, oDoom metal talvez seja o elo perdido entre os dois estilos aqui discutidos. O fato é que a natureza miscigenadora da arte impossibilita a restrição a qualquer tipo de combinação híbrida entre estilos e escolas de origens diferentes. Logo, sendo o Metal um gênero musical de essência puramente estilístico-formal e destituído de tema lírico próprio ou unificador, este tende a aderir elementos temáticos-conceituais de diferentes tribos e escolas filosóficas, incluindo os da cultura gótica, agradem a quem agradar, o público Gótico e/ou Headbanger.

Ainda que o casamento entre o Death/Doom Metal e o Gothic Rock venha a gerar desaprovação entre membros de uma das cenas pelo desprezo à outra, é inquestionável a ascensão do que se convencionou chamar de Gothic Metal. É importante ressaltar de que a cultura gótica não se define pela adesão a um estilo musical em específico, seja ele o Gothic rock (aqui abordado), o Death rock o Darkwave, o Doom Metal ou o Gothic Metal, a mesma consiste num conjunto, talvez caótico, de diretrizes filosóficas e literárias fortemente associadas a escolas do século XIX conhecidas como Ultra-Romantismo (Byronism na Inglaterra, Dark Romanticism nos EUA) e Simbolismo. De fato, os chamados “Poetas Malditos” semearam o terreno temático abordado pelas diferentes vertentes musicais que, em maior ou menor medida, tendem a ser classificadas como góticas.

Não confundir também o Gothic Rock com o Post-Punk, vertente do rock dos anos 80 caracterizada pelo ritmo monolítico, influências do art rock e temáticas como filosofia existencialista (ex.: Joy Division, Echo & the Bunnymen, The Fall, Suicide e, em parte, The Smiths), mas contendo mais experimentalismos musicais (inclusive ligados ao krautrock e ao Proto-Punk), sem as limitações de um rótulo determinado, como ocorre no Gothic Rock. Outro equivoco que vem ocorrendo é classificarem o Lacrimosa (banda influente do chamado Gothic Metal) de Gothic Rock.